Cada vez mais comuns, roubos de instrumentos obrigam músicos a correr atrás do prejuízo – Parte 4

Se o anonimato da internet tem facilitado a vida de criminosos na hora de vender instrumentos roubados, é utilizando-se da mesma tecnologia que dois amigos de Maringá, no Paraná, decidiram criar uma plataforma para auxiliar músicos a registrar seus aparelhos. O Grome (sigla em inglês para Registro Global de Equipamentos Musicais) surgiu em 1º de março deste ano e já conta com cerca de 700 associados, que cadastraram mais de 800 instrumentos.

– Somos o Detran dos instrumentos musicais – explica Laio Thomaz, 27 anos, no vídeo de apresentação da plataforma.

Funciona assim: após um cadastro com nome, endereço e telefone, o usuário registra no Grome, de forma gratuita, o número de série de seus instrumentos musicais, marca, cor, modelo e anexa fotografias. É possível também contar um pouco da história do instrumento, shows nos quais reverberou seus acordes, músicas compostas com o aparelho. Em caso de furto ou roubo, o proprietário pode lançar um alerta no site, relatando as circunstâncias do assalto, quando e onde foi e até oferecer uma recompensa se alguém o encontrar.

O Grome passa a destacar em sua home os equipamentos desaparecidos. Assim, os demais seguidores, antes de comprar um instrumento usado em sites como OLX, podem conferir se este não está cadastrado no Grome. Caso alguém encontre algum aparelho roubado em uma loja física ou virtual, também pode contatar o proprietário.

Com o sócio da startup, Francisco Xavier da Costa Aguiar Jr., de 26 anos, formado em Administração e Gerenciamento de Projetos, Laio decidiu iniciar a plataforma como forma de ajudar amigos que tiveram equipamentos roubados. Percebeu que, enquanto uns nunca mais encontraram seus instrumentos, outros os achavam na internet. Ele recorda do caso de um músico que achou numa loja o seu baixo furtado. Ele foi à polícia, mas não conseguiu comprovar a propriedade porque não guardou a nota fiscal. O registro no site é uma forma de provar a posse, explica.

– Vi uma oportunidade de ajudar meus colegas músicos e, ao mesmo tempo, começar um negócio – conta Laio, que, além de músico, é doutorando em economia.

Desde março, foram 33 alertas de roubos em todo o país. Nesta semana, por exemplo, apareciam na plataforma relatos de vítimas em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Elias Mohamed, de Taquara, fazia um apelo em busca de seu baixo Fender preto, modelo Jazz Bass Americano: “Invadiram minha casa e roubaram meu querido instrumento! Por favor, se alguém ficar sabendo, me informe!”.

– Não sei se um ladrão, quando pega uma guitarra, sabe avaliar quanto ela vale, seja pela marca ou modelo. Acho que eles vão ver isso depois na internet e tentam vender mais barato do que o preço médio – afirma o empreendedor.

Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2017/08/cada-vez-mais-comuns-roubos-de-instrumentos-obrigam-musicos-a-correr-atras-do-prejuizo-9860128.html

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